O Antipatriota
Publicado em maio 22, 2010 por Emerson Leandro
Na última aula dessa semana consegui encontrar um nome para o modo como estruturo minha linha de raciocínio. Penso segundo o conceito de “redes”. No meu entender este se sintetiza pela certeza de que as coisas, no que tange a sociedade estão interligadas, e são em certas ocasiões interdependentes (é lógico que minha soberba não é tão grande que me permita acreditar que sou o único que pensa desse modo.). Esta revelação me ocorreu por conta de mais um e-mail que depreciava um governo de esquerda da América Latina.
Por conta da biografia que estou lendo nestes últimos dias e do modo como vejo o mundo, não obedeci ao indicativo do e-mail que dizia: “se você for brasileiro, repasse este e-mail pra todos seus amigos” isso me fez lembra outro jargão… Ame ou deixe-o! E só a lembrança já me deu náuseas. Enfim faltou-me o patriotismo exigido pelo singelo correio eletrônico.
Na minha recente condição apátrida, me questionei sobre os motivos que levam uma pessoa ou grupo delas a construírem e repassarem e-mails deste tipo* na rede mundial de computadores quis cogitar os possíveis efeitos que estes causariam… São vários e listá-los aqui demandaria grande tempo e talvez fosse uma tarefa se não cansativa, impossível de ser cumprida diante de minha disposição.
A mais preocupante pra mim é o fato de que o social possa ser, de forma irresponsável, lido por todos. Como algo que caiba numa seqüência de opiniões vazias e preconcebidas, sustentadas por uma lógica que privilegia àqueles que já o são desde o berço.
Mesmo que eu saiba da existência, comprovadas cientificamente, de trabalhos intelectuais que se sustentam até hoje seguindo este percurso, a meu ver, totalmente tortuoso. Não posso deixar de me inquietar quando um/vários dos membros do “povão” que em sua maioria recebe migalhas desde a alimentação até a possibilidade de construção de qualquer que seja o conhecimento crítico, reproduza essa linha que pende para o lado contrário ao seu.
Será que entender políticas afirmativas como algo que atesta que o negro é incapaz é a linha correta a seguir, ao invés de lutarmos para que este como qualquer outro seguimento tenha o direito de construir e reformular, se assim for preciso, as ferramentas que garantam esses direitos? Será que o que deve ser feito é no que tange a mídia, reproduzir tudo o que ela diz como se fosse uma verdade absoluta, entendo-a como um instrumento divino dotado de imparcialidade e bom coração?
Se a estas questões você respondeu sim, e é integrante das classes socioeconomicamente dominantes (trocando em miúdo… se você tem dinheiro negão, o suficiente pra manter seu carro e uma conta com muitos dígitos) ai você tem meu total respeito e estará eternamente lutando do outro lado da trincheira. Mas se sua resposta é afirmativa e você é “peão de trecho” como eu, que tem que contar o dinheiro da passagem, vale transporte, Smartcard ou coisas afins, sugiro que reavalie o que você anda lendo, assistindo ultimamente e como você tem refletido sobre isto. Segundo uma frase atribuída a Oscar Wilde “A ignorância é uma benção” mas a pergunta que cabe a tal sentença é… Benção para quem?






