Confissões de um pecador confuso

Publicado em agosto 30, 2010 por

Gostaria de me confessar. Afinal, a última vez que fiz isso foi na minha 1ª Comunhão, quando ainda frequentava o pediatra. Então vamos lá: Senhor Jesus. Gostaria de confessar a minha incompetência.

Sou incompetente pra entender como pode haver tanta incoerência religiosa no mundo, e todas elas serem dedicadas em Seu Nome. E o pior, ainda sou obrigado a vê-las acontecendo em minha própria família e não tenho forças pra mudar isso. Explico.

Estava ouvindo o programa do Padre Marcelo Rossi, Rádio Excelsior da Bahia, e fiquei muito confuso quanto aos rumos da Igreja Católica Apostólica Romana. O Pe. Marcelo é uma espécie de PopStar. Ele utiliza palavras de efeito, fala coisas incoerentes com a sua própria religião, além de ser um grande “marketeiro” (detesto essa palavra, mas no caso se aplica). Mr. Rossi reza na Rádio com algumas mudanças do tom de voz, típicas dos profissionais do teatro ou das antigas rádio-novelas. Sua voz fica mais alegre pra falar com os ouvintes, torna-se mais densa para falar sobre as “dores do mundo” e, transfigura-se ainda mais grave na hora de fazer suas orações.

Olha eu fazendo "merchan" de graça pra o Padre...

Além das mudanças do tom da voz, é notório o caráter mercantilista do programa. Uma vez que a cada 2 minutos ele repete a palavra “‘Ágape” no melhor estilo “compre Batom, compre Batom, compre Batom”. Ágape é o nome do seu livro, best seller,  lançado com frisson na Bienal de São Paulo de 2010, com noite de autógrafos que deixaria o Paulo Coelho com inveja. O Clérigo ainda faz uma seleção de cores de velas para cada tipo de problema. Não sei se a religião unificada por Constantino (e não por Pedro, lembrem-se sempre) fechou convênio com as associações de Cromoterapia espalhadas pelo Brasil. É tanta cor de vela, que se o católico tiver uns 10 problemas pra resolver, pode fazer um mosaico no seu altar, e depois, usando as velas derretidas, pode fazer uma pintura impressionista, afinal, cores pra isso não faltarão. É uma a aquarela tão grande, que as vezes até ele deve se atrapalhar na receita.

Não contente com a promoção das vendas de velas e do seu livro, o Padre começa a desafiar as autoridades do Alto Clero do Vaticano, praticando o exorcismo (autorizado somente em casos especiais e por padres especializados nesse tipo de ritual). E o pior é que o maldito do capeta está infernizando agora, não mais os pecadores ateus, mas sim a pobre “água nossa de cada dia”. Ele pede: “Senhor, purificai e  exorcizai essa água”. Não seria um desrespeito ao próprio Papa? Se bem que o atual papa fez parte da juventude Hitlerista…

Fiquei confuso (diria o mestre Eduardo Rocha). Mas depois dessa entrevista, comecei a entender melhor:

Em entrevista ao diário La Repubblica, o padre Gabriele Amorth, que comanda o departamento de exorcismo em Roma há 25 anos, disse que o ataque ao papa Bento 16 na noite de Natal e os escândalos de pedofilia e abuso sexual envolvendo sacerdotes seriam provas da influência maléfica do Demônio na Santa Sé e que “é possível ver as consequências disso”.

O fato é que não entendo mais, Senhor Jesus, há quem devo me confessar? Talvez por isso nunca mais dobrei meus joelhos para padre nenhum. O histórico deles anda muito sujo… É tanta acusação de pedofilia, abuso, corrupção que sinceramente fico com medo de ficar fechado naquela “casinha” do confessionário com um homem de batina. Ainda mais de joelhos…

Acho que a Santa Madre Igreja deveria pensar em fazer umas reciclagens. Deixa os padres casarem, minha gente! Sexo é coisa boa… Se bem que se padre casar ou vai ficar cheio de filhos, ou vai aproveitar pouco dos “pecados da carne”. Afinal, o uso da camisinha e dos métodos contraceptivos são proibidos para os fiéis. E como representantes da Igreja eles terão que dar o exemplo… Complicado. Mas tem a “tabelinha” que com muita fé em Deus, pode dar certo, né?

Bem, como não poderei mudar a Igreja, e o Joseph Alois Ratzinger não irá ler esse texto, vou rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria pra purificar meus pecados e pela alma do Marcelo Rossi. Pois ele está se tornando um ídolo, e um dos mandamentos, se não me engano, proíbe a adoração de ídolos. Afinal, Deus é um só. Pai, Filho e Espírito Santo (?). Mas essa contabilidade merece uma discussão um pouco mais ampla. Fica pra minha próxima confissão (se eu não for exomungado antes).

Comentários (3)

 

  1. Pelo que se pode extrair da Historia sobre a Igreja Católica, é que até hoje a mesma vem querendo se adaptar as mudanças dos povos para que assim continuem com as suas manipulações e alienações em grande parte da população terrestre.
    Dizem que o diabo veio pra MATAR, ROUBAR e DESTRUIR.
    Qual dessas opções a Igreja ainda não fez?!

    Obs: Seu objectivo é a conversão ao ensinamento e à pessoa de Jesus Cristo em vista do Reino de Deus. Para este fim, ela administra os sacramentos e prega o Evangelho de Jesus Cristo.

    Como alcançar tudo isso afundados em PECADOS e HIPOCRISIA?

    O Papa é Pop?!
    Um homem como um de nós, trancado dentro de um Cofre “Vaticano” como se fosse celebridade, cheio de fãs dizendo ser o representante de Deus na terra, comendo em pratos de ouro enquanto a metade do Planeta passa fome.

    O Filho do Criador disse: Eu sou a verdade o caminho e a Vida.

  2. Carlos André disse:

    Essa confissão de um pecador confuso é intrigante porque ele não está confuso com seu pecado, mas com aqueles que representam (ou representaram) um meio para solução para o mesmo.
    Infelizmente, não só a igreja católica romana, mas muitas outras religiões ditas representantes do cristianismo têm nos decepcionado; e isso tem levado a mensagem de Cristo ao descaso.
    Entretanto, toda confusão é dirimida quando nós, pecadores, estabelecemos Jesus Cristo como parâmetro de nossa fé, e ninguém mais.

    Abrs…

  3. Afrânio Marx disse:

    Caro Erick Cerqueira, o problema não está na Igreja Católica, mas na sua falta de fé nela. Esquece que ela é o corpo místico de Cristo, o qual é sua cabeça e fundador. Será que os primeiros discípulos e apóstolos que a constituíam não pecavam? Claro que sim. Mas mesmo assim Jesus apareceu a Saulo e o questionou porquê O perseguia (quando a perseguição era mesmo aos fiés pecadores). Ocorre que o limite da Igreja não está na instituição, mas na própria pessoa que a ela pertence pelo batismo. Assim, aquilo que em mim e você constitui pecado e revolta contra Deus, é o território que ainda não é Igreja.

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