Crítica a Bobagem… (que não é bobagem)
Publicado em setembro 27, 2010 por Erick Cerqueira
Se existe algo que me indigna é o descaso com a coisa pública. A nossa reles rés-pública anda cada vez depreciada. Os brasileiros possuem um conceito histórico de acreditar que: se é público, não tem dono. Se não tem dono, podemos depreciar. É assim com os velhos orelhões nas ruas, com as praças, com o lixo jogado fora do lugar ou até mesmo com o xixi no meio da rua. E esse conceito vem tomando proporções cada vez maiores. E o pior, cada vez mais perigosas.
Nas últimas eleições acompanhei o descontentamento do povo com os nossos políticos. Dezenas de medalhões ou “políticos-de-carreira” não se reelegeram. Alguns foram execrados com votações pífias. Assisti o “voto de protesto” falar alto nas eleições. O lunático defensor da Bomba Atômica Brasileira, que tinha apenas 30 segundos na TV nas eleições de 89, ressurgiu das cinzas para ser o mais votado Deputado Federal da história do Brasil. Meu nome é Enéas, por incrível que pareça, é um bordão imitado até hoje por alguns candidatos que se orgulha de terem fotos com o finado parlamentar. Mas como não atribuir a Enéas Carneiro o título de representante mor da insatisfação do povo com os políticos? Quem, em sã consciência, acreditaria que aquele barbudo, careca, com pinta de louco, que falava rápido como um narrador de turfe, poderia vir a se um grande parlamentar?
Na Bahia o ex-governador César Borges, faz questão de tirar foto ao lado da vereadora Léo Kret da Bahia. Ela (ou ele), subiu ao estrelato dançando em bandas de pagode, apareceu para o grande público num programa de “quinta categoria” na TV e, como em uma brincadeira que afrontava a política local, lançou-se candidata a Vereadora. E venceu. Já falei sobre isso, mas comentarei novamente. Léo Kret tornou-se vereadora numa brincadeira comparada ao feito do imperador Calígula, que institui Incitatus (seu cavalo) como Senador Romano. Mas a vitória de Ms. Kret fez surgir uma vereadora atuante e que, sem saber como, deu certo.
Agora todo mundo acredita que pode ser representante parlamentar. Basta ser conhecido e usar a fama para transformar fãs em eleitores. É assim com as candidaturas de Marcelinho Carioca, Romário, Agnaldo Timóteo, Frank Aguiar, Popó, Dona Raquel, Jean Nanico e, em especial, ao favoritíssimo Tiririca.
Pior do que está, ainda pode ficar…
Mas Tiririca é o fim da picada. E podem me chamar de preconceituoso. O candidato não sabe nem ler, nem escrever direito e quer ser representante do povo? E não me falem do Lula , pois esse sabia ler, escrever e aprendeu política antes de se candidatar. Mas voltando ao Tiririca. Como um homem com a sua experiência pode ajudar o país a controlar os gastos dos nossos governantes ou desenvolver projetos de lei para a nossa Nação? O voto em Tiririca não é só um protesto. É uma irresponsabilidade histórica. Algo que pode (e irá) levar o Brasil a voltar a ser “piada no exterior”, como diria Renato Russo. Tiririca, pior que Incitatus, faz piada com o próprio eleitor. Ridiculariza-o da forma mais torpe, brincando com o fato de nem saber o que faz um deputado. Ou ainda, com o bordão, “pior que tá num fica”. Fica sim, e isso é cada vez mais latente. Brincar com o voto levará você a sustentar um palhaço (expressão pejorativa) com um salário anual de 1.2 milhão de reais. Se for pra investir essa vultuosa quantia no artista circense, seria melhor financiar centenas de circos espalhados pelo país. Assim os palhaços terão mais respeito, sendo deixados em seu habitat natural, e nós também, no nosso papel de platéia. Não podemos deixar que as canalhices dos políticos nos contagiem. Não podemos ser canalhas ao ponto de acreditar que a mais bela escultura de Niemeyer seja invadida por comediantes, jogadores de futebol, cantores, advogados, administradores, médicos, analistas de mercado ou quem quer que seja, apenas pelo fato de ser conhecido nacionalmente. O público não é de ninguém, ele é de todos. E se não nos esforçamos para eleger políticos interessados em mudar esse quadro de palhaçadas na vida pública, independente do seu setor de atuação, seremos tão palhaços (pejorativamente falando de novo) quanto Tiririca.
Antes de ser apedrejado, gostaria de citar o exemplo de um palhaço no qual votaria para deputado. O ator Luis Carlos Vasconcelos, protagonista de Carandiru, é o típico caso de homem culto e sensato, com nariz redondo e vermelho. Não tenho nada contra a profissão, e sim contra a brincadeira com que estão tratando algo tão sério como o Poder Legislativo do meu país.
Contudo o voto é um exercício democrático, onde a maioria elege os seus representantes. E cada um escolhe de acordo com suas convicções. Não posso mudar a cabeça de ninguém, nem costumo ter atitudes de proselitismo com desconhecidos. Mas peço aos paulistas que ao menos pensem bem, antes de tratar o público como algo sem dono. E por favor, sem palhaçadas dia 4 de outubro. Afinal, pior do que está, ainda pode ficar…
Comentários (1)







OI, SIM CONCORDO COM O QUE DIZ , O TIRIRICA NÃO SABE LER , SÃO PESSOAS ASSIM QUE OS NOSSOS GOVERNANDES SABIOS QUEREM .COMO VÃO COMANDAR O POVO, DE UM PAIS TÃO RICO ??