Jornalista por formação e de coração

Publicado em setembro 29, 2010 por

Por Valéria Ibalo

Eu sou daquelas poucas pessoas, que no primeiro dia de aula da faculdade, queria realmente seguir a profissão que tinha passado no vestibular. Ao contrário de muitos colegas que desejaram ingressar no curso de Direito, Letras, Administração, Medicina, dentre tantas outras carreiras, eu queria realmente ser Jornalista e durante quatro anos de minha vida, me dediquei aos estudos de minha profissão, seja na teoria dos livros e das aulas, seja na prática dos estágios e dos laboratórios.

Eu sou daquelas poucas pessoas, que mesmo achando que a decisão sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para Jornalistas é algo equivocado e que irá causar as mais diversas reações nos jornalistas diplomados, nos jornalistas sem diploma, nos estudantes de jornalismo, nos estudantes de modo geral e na sociedade, ainda assim, me sinto superior a tudo isso, pois sou Jornalista.

Sim, o diploma é muito importante pra mim, afinal de contas, eu tenho o meu e não abro mão dele por nada neste mundo, já que foi fruto de muito trabalho de meus pais e muita dedicação da minha parte, mas mesmo assim, a não obrigatoriedade não me aflige, acredito nos meios de comunicação e nas empresas que não irão acatar a essa loucura.

Eu sou daquelas poucas jornalistas, que assim que acabou a faculdade, foi correndo para o Sinjorba, meu sindicato, para se filiar e pagar não mensalmente, mas anualmente as parcelas, pois acreditava e acredito que deveria e devo fortalecer a minha categoria, pois como já disse e repito, sou jornalista por formação e de coração. Sou daquelas que como poucos, tenho o faro jornalístico, muitas vezes em detrimento da escrita, que para os ministros do STF é o suficiente para exercer a “minha” profissão.

Eu sei, pois aprendi na faculdade, a escutar uma fonte e anotar somente o que será aproveitado, a fazer a mesma pergunta de diversas maneiras, a escrever de maneira rápida e dinâmica, sempre respeitando a verdade. Mas de que adianta dizer que sei ou que aprendi isto ou aquilo, para muito de vocês, o que aconteceu foi bem feito para os jornalistas que se “acham” superiores as pessoas, que são arrogantes, que não relatam a verdade dos fatos, que não ouvem os dois lados da história, que, que, que…

Só que agora, com a decisão dos “nossos” ministros tudo certamente irá melhorar, pois se “todos” somos jornalistas, “todos” podemos falar, escrever o que queremos e pensamos. Quem vai responder pelas verdades ou mentiras de vocês? Quem vai fiscalizar? Existe algum código de ética pra ser seguido? Existe alguma penalidade, se algum de vocês, só pra brincar, contar algum caso que ouvir pelas ruas? As regras gramaticais bastam? E o método jornalístico? Lead?

Sem querer ser exagerada, mas sendo apenas realista, vou contar uma, de milhares de histórias que certamente existem pelo Brasil, depois que essa decisão foi tomada. Você deve estar se perguntando, que tipo de reação poderia existir a não ser aceitar ou não a essa Lei? E eu te digo que podemos tentar, mesmo que seja apenas na imaginação, pensar naquele cidadão que criou seu filho com todo carinho, amor, com muita dificuldade no que diz respeito ao lado financeiro, que por muitas vezes deixou de comprar algo para a casa, pois estava “investindo” naquele filho que cursava a faculdade e que futuramente teria o diploma de Jornalista. Só que hoje, esse cidadão ainda tem que pagar os débitos desse “investimento” que infelizmente já não tem o devido valor, já que seu tão desejado sonho, de ver um filho formado, foi na verdade em vão, pois o diploma de seu filho já não vale nada e o pior, é motivo de chacota e de humilhação. O que irão dizer os nossos ministros se pelo fato de terem tomado tal decisão, esse cidadão também decidir que com tantas dividas, e a vergonha de ouvir pelas ruas que seu investimento teria sido melhor em um cozinheiro, resolver que a vida não faz sentido?

Ao invés de sermos superficiais, vamos nos colocar no lugar de muitos jornalistas, dos seus familiares e amigos. Seja você contra ou a favor da decisão do Supremo tente ao menos analisar se o diploma do jornalista é realmente sem necessidade, se qualquer pessoa pode exercer a profissão, se quatro anos nos bancos da faculdade são somente de conversas inúteis.

Valéria Ibalo – Jornalista

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